De volta ao Blogger da Escola. Quase de licença para uns quatro meses de férias, espero poder dar um rumo mais adequado a minha vida.
Hoje, conversando com uma professora de matemática sobre o desgaste de ser professor, de estar em escola com tantos problemas como a nossa e ter que conviver, ainda, com esse calor infernal do turno da tarde, eu disse que o problema para mim não eram os alunos, os adolescentes. O maior problema eram os adultos, que não assumem suas atividades e ajudam a mudar essa realidade. Claro que tem os problemas de outra ordem, mas a responsabilidade de cada um se for assumida já contribui com uns 60% do nosso trabalho.
Logo que cheguei à Escola, por volta da 15 horas, a professora estava fora da sala e dizia que só entrava se o aluno com um celular saísse da sala. Ele estava, na realidade, fora, ouvindo musicas de aparelhagem em volume alto. Não encontrei o aluno, somente agora no final das aulas e conversei com ele. Mas, como ele já havia saído, a professora terminou o horário e ao bater a campa do recreio todos foram para a área livre.
No segundo tempo, quando deveria retomar suas atividades em sala de aula, a professora decidiu ficar assistindo ao jogo de vôlei dos alunos que não tinham ou não entraram em classe. Foram três aulas assistindo ao jogo sob o meu olhar, com sinais de já estou indo. Não foi!
Não tem como, os adolescentes são muito mais fáceis de conversar do que os macacos velhos. Até porque eles estão em formação, enquanto os docentes sentem o peso da tarefa, que as vezes já se torna pesada ainda na primeira década de atividade. Questionada, ela ainda se apresenta como vítima, como sendo a coitada dentro de um sistema que exclui meninos e meninas, que poderiam muito bem estar assistindo aula. É lamentável, mas esse rumo que preciso dar a minha vida é indispensável.
Aos vinte e cindo anos e alguns meses de atividade, ainda consigo conversar com jovens, brigar para que tenham um futuro melhor, sonhar com direitos humanos de crianças e adolescentes e pensar em uma atividade que possa continuar atendendo aos interesses coletivos e avanços sociais das camadas mais pobres. Não quero jogar no lixo minha simples e comum história, pois, ainda que não seja muita coisa, é a parcela de contribuição que eu, somado a tantos outros, consegui dar para que o mundo, como dizia Paulo Freire, pudesse se tornar um pouco melhor.
João Raimundo da Silva Sousa
Criador e coordenador do Blogger
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