Na próxima segunda-feira, dia 12 de setembro, depois de um ano fora da direção da Escola Cidade de Emaús, respondendo pela coordenação do turno da noite e dando apoio à Professor Marli Nogueira depois da 15 horas, devo entrar de licença prêmio. Serão quatro meses para refletir tentar encontrar um rumo. Até já poderia ter um, aos 52 anos completos, não se admite que um sujeito de cabelos brancos não tenha um rumo na vida. O meu poderia ser “me aposentar daqui há quatro anos e meio”, sair de vez da SEDUC e passar a viver com meu salário de aposentado até os últimos dias. Recuso-me a isso, ainda que deseje me aposentar. Entretanto, não pode ser esse um rumo capaz de deixar alguém muito feliz. Qual rumo darei, não sei. Mas, neste último dia, infelizmente, deixei escrito um comentário sobre o que estava fazendo a pedido da direção em relação a um professor. Transcrevo aqui para mostrar o quanto estou decepcionado com o rumo que nossa educação tem tomado.
“Eu estava fazendo esta exposição de motivos quando alguns alunos me chamaram lá fora indignados com o fato de vir à escola, cansados, saindo de casa à noite, e simplesmente não terem nenhuma aula. Eu os comuniquei que estava exatamente fazendo uma exposição de motivos para a Escola devolver professor e pedi que dispensassem as turmas. É realmente lamentável. Mesmo gostando da Escola como eu gosto, tu gostas e a Marli gosta, eu estou cansado. Seria interessante também, independente dessas irresponsabilidades, mostrarmos que uma escola para funcionar melhor tem que ter mais técnicos comprometidos com a educação, profissionais na secretaria e pessoal de apoio em seu cotidiano. Eu estou me sentindo cansado. Cheguei às 15horas, como tenho feito depois que começou as aulas em agosto, esses dois dias depois do feriado, à tarde, também, é muito difícil. Não acho que a gente deva se desesperar, embora para os meninos e meninas essa realidade seja desesperadora, pois, a questão requer que façamos uma matéria séria e aprofundada sobre o compromisso da Escola com a Comunidade; para que querem essa Escola? Por que estão esses professores e professoras aqui? Os pontos que podem ser mudados imediatamente e, por fim, a definição de aspectos que podem ser alcançados e os meios para que façam um trabalho que caminhe pelo menos para o regular com possibilidade de um dia chegar a ser bom. Não acho fácil, tanto que falo na terceira pessoa do plural (eles), visto que eu, honestamente, tendo assumido e reassumido por várias vezes esta Escola, desisti. Ou como diz o poema de Bertold Brecht, não sou "imprescindível.”
O que fazer depois desses quatro meses? Não sei, honestamente, não sei!
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
ENTRE O SONHO E A REALIDADE
De volta ao Blogger da Escola. Quase de licença para uns quatro meses de férias, espero poder dar um rumo mais adequado a minha vida.
Hoje, conversando com uma professora de matemática sobre o desgaste de ser professor, de estar em escola com tantos problemas como a nossa e ter que conviver, ainda, com esse calor infernal do turno da tarde, eu disse que o problema para mim não eram os alunos, os adolescentes. O maior problema eram os adultos, que não assumem suas atividades e ajudam a mudar essa realidade. Claro que tem os problemas de outra ordem, mas a responsabilidade de cada um se for assumida já contribui com uns 60% do nosso trabalho.
Logo que cheguei à Escola, por volta da 15 horas, a professora estava fora da sala e dizia que só entrava se o aluno com um celular saísse da sala. Ele estava, na realidade, fora, ouvindo musicas de aparelhagem em volume alto. Não encontrei o aluno, somente agora no final das aulas e conversei com ele. Mas, como ele já havia saído, a professora terminou o horário e ao bater a campa do recreio todos foram para a área livre.
No segundo tempo, quando deveria retomar suas atividades em sala de aula, a professora decidiu ficar assistindo ao jogo de vôlei dos alunos que não tinham ou não entraram em classe. Foram três aulas assistindo ao jogo sob o meu olhar, com sinais de já estou indo. Não foi!
Não tem como, os adolescentes são muito mais fáceis de conversar do que os macacos velhos. Até porque eles estão em formação, enquanto os docentes sentem o peso da tarefa, que as vezes já se torna pesada ainda na primeira década de atividade. Questionada, ela ainda se apresenta como vítima, como sendo a coitada dentro de um sistema que exclui meninos e meninas, que poderiam muito bem estar assistindo aula. É lamentável, mas esse rumo que preciso dar a minha vida é indispensável.
Aos vinte e cindo anos e alguns meses de atividade, ainda consigo conversar com jovens, brigar para que tenham um futuro melhor, sonhar com direitos humanos de crianças e adolescentes e pensar em uma atividade que possa continuar atendendo aos interesses coletivos e avanços sociais das camadas mais pobres. Não quero jogar no lixo minha simples e comum história, pois, ainda que não seja muita coisa, é a parcela de contribuição que eu, somado a tantos outros, consegui dar para que o mundo, como dizia Paulo Freire, pudesse se tornar um pouco melhor.
João Raimundo da Silva Sousa
Criador e coordenador do Blogger
Hoje, conversando com uma professora de matemática sobre o desgaste de ser professor, de estar em escola com tantos problemas como a nossa e ter que conviver, ainda, com esse calor infernal do turno da tarde, eu disse que o problema para mim não eram os alunos, os adolescentes. O maior problema eram os adultos, que não assumem suas atividades e ajudam a mudar essa realidade. Claro que tem os problemas de outra ordem, mas a responsabilidade de cada um se for assumida já contribui com uns 60% do nosso trabalho.
Logo que cheguei à Escola, por volta da 15 horas, a professora estava fora da sala e dizia que só entrava se o aluno com um celular saísse da sala. Ele estava, na realidade, fora, ouvindo musicas de aparelhagem em volume alto. Não encontrei o aluno, somente agora no final das aulas e conversei com ele. Mas, como ele já havia saído, a professora terminou o horário e ao bater a campa do recreio todos foram para a área livre.
No segundo tempo, quando deveria retomar suas atividades em sala de aula, a professora decidiu ficar assistindo ao jogo de vôlei dos alunos que não tinham ou não entraram em classe. Foram três aulas assistindo ao jogo sob o meu olhar, com sinais de já estou indo. Não foi!
Não tem como, os adolescentes são muito mais fáceis de conversar do que os macacos velhos. Até porque eles estão em formação, enquanto os docentes sentem o peso da tarefa, que as vezes já se torna pesada ainda na primeira década de atividade. Questionada, ela ainda se apresenta como vítima, como sendo a coitada dentro de um sistema que exclui meninos e meninas, que poderiam muito bem estar assistindo aula. É lamentável, mas esse rumo que preciso dar a minha vida é indispensável.
Aos vinte e cindo anos e alguns meses de atividade, ainda consigo conversar com jovens, brigar para que tenham um futuro melhor, sonhar com direitos humanos de crianças e adolescentes e pensar em uma atividade que possa continuar atendendo aos interesses coletivos e avanços sociais das camadas mais pobres. Não quero jogar no lixo minha simples e comum história, pois, ainda que não seja muita coisa, é a parcela de contribuição que eu, somado a tantos outros, consegui dar para que o mundo, como dizia Paulo Freire, pudesse se tornar um pouco melhor.
João Raimundo da Silva Sousa
Criador e coordenador do Blogger
quinta-feira, 17 de março de 2011
MAIS UM ANO LETIVO
Vamos iniciar mais ano letivo. A Escola está tentando fazer e refazer seu compromisso com a população do Bengui e Tapanã, que são atendidos pelo trabalho que oferecemos. Nesta primeira semana depois do carnaval, de 14 a 18, estamos trabalhando a formação, com reflexão, dos professores e professoras. Não é fácil, mas o desafio é construir e reconstruir uma proposta que atenda a comunidade técnica e politicamente. Nossos ato tem limites dentro e fora dos muros da Escola, pois, são vários os fatores que levam ao baixo desempenho de nossos alunos. Muitos desses fatores, como as condições de trabalho ao longo desses quase trinta anos, tem se agravado. Existe um leque de problemas que podemos afirmar que passa pelo calor insuportável da tarde, atravessa problemas pessoas dos alunos, é alimentado pela má formação de nossos docente e chega a falta de estrutura da Escola, que se materializa com falta de laboratório para as disciplinas, pessoas apara acompanhamento dos alunos e atendimento em espaços como a biblioteca. Claro continuamos sem ter uma quadra de esporte digna para os alunos, um auditório e outros espaços que poderiam ajudar no trabalho de educar crianças jovens e adultos. Mas, continuamos fazendo o possível para avançar, para melhorar a qualidade de nosso trabalho. A semana que vem, do dia 21 a 25 será para o planejamento das ações gerais da Escola e especificas de cada disciplina. Boa sorte!
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
ESCOLA LANÇA LIVRO DE CRIANÇAS DO "MAIS EDUCAÇÃO"
A Escola Cidade de Emaús no dia de hoje está em festa. Acontece o lançamento de um livro produzido pelos alunos, com textos simples que retratam um pouco da vida e dos sonhos de nossos meninos e meninas. O sonho de ser um craque no futebol, uma princesa, ter um futuro e ser feliz fazem parte das histórias que contam. O esforço das professoras da Escola, contando com a participação da Jovem estudante de Pedagogia da UEPA, Paulyane, reflete o interesses que a Escola tem em aproveitar ao máximo as experiência do MAIS EDUCAÇÃO, implantado em 2010 para tentar melhorar o nível de formação de nossas crianças e jovens.
Assinar:
Comentários (Atom)